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Sou jornalista e especialista em comunicação e gestão de e-Commerce de Moda. Além de estar à frente do B. Office e aqui do neilabahia.com, chefiei equipes de produção de roupas femininas. Você também me encontra no Instagram com o perfil @neilabahia!
Neila Bahia

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Fashion Revolution - Você é parte disso

Salvador - BA, Brasil


"Eram duas horas da tarde e ainda não havia almoçado. As três meninas que trabalhavam com Silveria olhavam para a patroa com pena e medo. Não ousavam dizer mais nada. Já haviam insistido. ‘Você vai morrer se continuar trabalhando assim'."

Esse é um trecho do livro Bienvenidos: história de bolivianos escravizados em São Paulo, de Susana Berbert. Pra mim é como uma espécie de emblema do Fashion Revolution, um movimento criado por um conselho de líderes da indústria da moda sustentável mundial que se formou depois do desabamento do edifício Rana Plaza em Bangladesh, em 2013, onde funcionava uma fábrica de tecidos em condições deprimentes de trabalho e segurança e que resultou em 1.133 mortos e 2.500 feridos.

Assim, surgia o Fashion Revolution Day, um dia para chamar atenção para a cadeia produtiva da moda com campanhas para conscientização sobre o real custo da indústria e seus impactos sociais e ambientais, mostrando ao mundo que a mudança é possível através do comprometimento em criar um futuro mais sustentável e com mais transparência.

E NÓS, OS CONSUMIDORES, COMO PODEMOS AJUDAR NESTA AÇÃO?


Muito simples: começando por se questionar: "Quem fez minhas roupas?". Essa pergunta é fundamental para identificar todo o processo de confecção; desde quem colheu o algodão até quem pregou o último botão na peça. Com essa simples atitude poderemos passar a consumir de forma consciente, comprando de marcas que estão comprovadamente de acordo com as normas de segurança, condições de trabalho dignas e utilizando insumos e práticas sustentáveis. Percebem o poder que temos nas mãos? É preciso se manifestar e ter empatia por trabalhadores que literalmente dão suas vidas para que possamos nos vestir. Então, pedir transparência e condições conscientes e sustentáveis na moda é a forma de parar essa indústria inescrupulosa e cruel.
A princípio parece meio distante e muito utópico, mas garanto que a cada pessoa impactada por essa ideia será mais um pessoa e mais uma pessoa. Por isso, temos que fazer nossa parte.

PRECISO MESMO DE MAIS UMA PEÇA? 


A gente sabe que a publicidade a todo tempo nos impulsiona a comprar, mesmo que não estejamos precisando. Quem trabalha com Moda, especialmente os influencers, muitas vezes precisa trazer novidades, estimulando as outras as pessoas a consumirem uma peça nova e indispensável. Acredite que não é bem assim e se pergunte sempre: realmente, eu preciso dessa peça? Como e por quanto tempo a usarei? Ela é durável de fato? E a mais importante: alguém precisou sofrer para que eu a tivesse?

Por fim, se você decidir por comprar algo novo, pesquise se a empresa fornece informações da sua produção e das condições de trabalho de quem confecciona as peças, se fiscaliza seus terceirizados e garante que sua cadeia produtiva não tem trabalho escravo e nem em condições precárias. Hoje em dia isso é muito fácil de fazer, a internet nos oferece todas essas informações! Sem contar que as empresas que colaboram para uma moda justa fazem questão de expor isso e de forma transparente apresentam todo o seu processo de produção.

Se você é o profissional e precisa fazer o seu trabalho de divulgação, escolha sempre prestigiar o pequeno produtor, aquele que, como costumamos dizer, não irá comprar mais uma casa de praia luxuosa, mais que fará a roda sustentável girar, pois é engajado com as causas sociais e protetor do mundo onde habita. Marcas locais são um bom começo.

Entendendo que nem sempre os preços do pequeno produtor são acessíveis (como citei nesse post), por isso pra você que se encontra em situação financeira vulnerável, mas deseja se engajar, trago como opção para compras a C&A que tem preços acessíveis, mas consegue ir na contramão das práticas condenáveis das fast fashion.

Sendo certificada pelo Moda Livre (app que oferece ao consumidor, de forma ágil e rápida, informações sobre as marcas envolvidas em casos de trabalho escravo na indústria do vestuário nacional e pelo Repórter Brasil (equipe fundada em 2001 por jornalistas e profissionais de outras áreas com o objetivo de fomentar a reflexão e ação sobre a violação aos direitos dos povos e trabalhadores no Brasil).

A cadeia de lojas é comprovadamente 100% livre de trabalho escravo e com transparência divulga todos os fornecedores que produzem suas peças. Além disso, a empresa já recicla a água da sua produção, utiliza algodão orgânico na produção das peças e tem várias nas coleções com a opção sustentável, que garante os materiais limpos utilizados na confecção.

No mês que vem teremos a "Semana Fashion Revolution" com o intuito de mostrar ao mundo que a mudança é possível, através do engajamento de todos! Vamos criar conexões e exigir práticas mais sustentáveis e transparentes na indústria da moda?

São pequenas atitudes que podem colaborar e muito para o Movimento Fashion Revolution. Podemos contar com você para fazermos essa revolução? Trarei mais informações do que vai rolar em breve!



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