Microfibras, microplásticos... o que são e o que temos a ver com isso



Provavelmente você já ouviu falar sobre a fossa das Marianas. Mas, se não sabe, eu te conto que este é o local mais profundo dos oceanos. Com extensão superior a 11 mil metros, as fossas ficam no Oceano Pacífico, ao leste das ilhas Marianas, e já chegou a ser explorada por humanos ao seu ponto mais fundo em 1960.

Mas, acredite, nem um lugar tão isolado está a salvo da nossa poluição. Uma sacola plástica, como aquelas oferecidas em supermercados, foi encontrada nas fossas. Esse é agora o pedaço de lixo plástico mais profundo já encontrado. É impressionante como a nossa civilização consegue contaminar todas as partes do planeta.

E não basta apenas atirar lixo diretamente nos mares, mesmo em casa estamos poluindo as águas enquanto inofensivamente lavamos nossas roupas. Novos estudos mostram que enormes quantidades de minúsculas fibras de tecidos sintéticos estão indo parar nos oceanos a partir de nossas máquinas de lavar, contaminando assim a fonte de alimento dos animais aquáticos.

Um estudo recente comprovou que um casaco de lã sintética - a que mais solta microfibras - lança uma média de 1,7 desse material por lavagem, dos quais cerca de 40% entra nos sistemas de água naturais. O problema é que essas fibras são muitas vezes tão minúsculas que os filtros convencionais das máquinas de lavar não são capazes de capturá-las.

Estamos comendo microplásticos


Sabemos que o lixo jogado diretamente no mar são ingerido pelos grandes animais aquáticos, mas esse não é o único problema. Para se ter uma ideia, organismos minúsculos, e que formam a base da cadeia alimentar marinha, foram filmados se alimentando com partículas de plástico. 

O copépodes (um tipo de zooplâncton que se alimenta de algas no oceano) tiveram suas imagens capturadas por uma equipe de cineastas e pesquisadores que usaram um microscópio para coletar imagens que servisse de alerta sobre como a poluição está afetando até mesmo as menores criaturas do marinhas.

Parece impensável, mas com a ajuda de um corante fluorecente foi possível ver os pequenos pontos verdes - que são pedaços de microplásticos - sendo ingerido pelos plânctons. Assim como tartarugas e outros animais confundem o lixo com comida, o mesmo acontece com esse micro-organismo.

Daí, não precisa pensar muito para concluir que peixes, camarões, lulas, lagostas e uma infinidade de vida marinha que comem esses plânctons, são pescados e vendidos nas feiras. Posteriormente, nós compramos e os consumimos. Consegue ver a extensão desse problema? Precisamos quebrar esse ciclo!

O que podemos fazer?


Para combater o problema, os pesquisadores sugerem que as marcas de roupas e fabricantes de máquinas de lavar elaborem novas pesquisas e considerem a importância de reduzir as emissões de microfibras nas redes de esgoto. Quanto à nós, pequenas atitudes podem minimizar o problema. Aqui entra consumo consciente que faz toda diferença!


Sempre que possível:
  • Aproveitar uma peça que já exista (brechós, upclyclyng);
  • Dar preferência a roupas pessoais feitas com tecidos naturais ou artificiais não sintéticos;
  • O mesmo vale para roupas de cama, mesa e banho;
  • Cobrar das marcas ações que protejam o meio ambiente.

Infelizmente os tecidos feitos de garrafas PET recicladas não são biodegradáveis como as fibras de tecidos naturais como algodão ou artificiais como modal, liocel e viscose. O ideal seria se as marcas fabricassem somente plásticos biodegradáveis feitos de amido de plantas que dissolvem na terra ou na água. Temos muitas opções de fios biodegradáveis feitos de cana de açúcar, milho, trigo e beterraba.

Nós que temos acesso à informação somos responsáveis por estender e divulgar esses dados ao máximo e exigir que essas atitudes se tornem comuns. Somos responsáveis também por exigir que todas as marcas se tornem sustentáveis - todas, sem exceção - pois, só assim, isso será acessível aos consumidores em situação de vulnerabilidade e que não podem sequer escolher que tipo de tecido vai consumir.

Podemos contar com você?



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