Por que o tamanho das peças é um problema tão grande para a Moda?


Há alguns anos ouvimos que essa confusão estava com os dias contados, mas a padronização da grade de tamanhos das roupas não é tão simples quanto parece!


Clientes, empreendedores, estilistas, modelistas... todos sofrem com as inconsistências, além de que um mercado em forte expansão tem visto suas taxas de devolução aumentarem absurdamente, o que afeta negativamente toda uma cadeia produtiva. Ao lado de problemas com o frete,  a tabela de medidas é uma das maiores dores de cabeça de quem vende roupa online.

Buscar por uma peça nas lojas físicas é o maior desafio, já que os tamanhos de numeração idêntica podem variar dentro de uma mesma marca. Agora, imagina para quem costuma comprar nas lojas virtuais? Isso porque as medidas de um tamanho 40 de uma coleção vendida no verão podem não ser as mesmas que serão vendidas no inverno, por exemplo. Sim, mesmo que seu peso e medidas sigam inalterados, aquele tamanho de três meses atrás pode simplesmente ser alterado sem qualquer critério justificável. 

SOLUÇÃO ESTÃO SENDO BUSCADAS, MAS É DIFÍCIL ENTRAR NUM CONSENSO.

Em 2017, o Centro de Tecnologia da Indústria Química e Têxtil (Senai-Cetiqt), do Rio, concluiu um estudo inédito no país, a Pesquisa de Caracterização Antropométrica Brasileira (SIZEBR), que classificou os diferentes tipos de corpos dos brasileiros.

O SIZEBR definiu tabelas de medidas masculinas e femininas, para as cinco regiões brasileiras, dividindo-as por biótipos. Para as mulheres, foram determinados as características retângulo, triângulo, ampulheta, colher e triangulo invertido. Para definir essas nomenclaturas eles se basearam nas pesquisas internacionais realizadas para a caracterização de tipos físicos através da proporção entre de busto, cintura, quadril e quadril alto (esta última medida corresponde à circunferência localizada na metade da distância entre cintura e quadril).

Porém, não é todo mundo que concorda com essas classificações e falhas são apontadas, já que padronizar requer atender a to-dos os tipos de corpos. OMG! Acredito que essa é uma tarefa praticamente impossível! Me contem, vocês acreditam que seja possível e imaginam um forma de executar? Isso seria o ideal!


ENTÃO, COMO SABER QUAL TAMANHO COMPRAR?

Quando entramos numa loja e pedimos duas blusas tamanho M, mas de modelos diferentes e notamos que uma cabe e a outra simplesmente não serve, somos convencidas que a culpa é da modelagem que veio numa "forma pequena ou grande" e você tem que dar sorte para achar uma que seja adequada a seu corpo.

Esse problema seria resolvido pela padronização, mas por outro lado simplesmente não funcionaria para todo mundo que produz roupa, já que muitos não se importam com o tamanho da roupa que vendem e preferem sequer discutir o assunto. Sabemos que alguns atacadistas e até mesmo lojistas fazem um esqueminha bem escroto e quando as peças ‘P’ acabam, elas simplesmente remarcam as ‘M’ e ‘G’ como se fossem ‘P'.

Essa é prova de que seguimos num modo tentativa e erro, tentativa e acerto, simplesmente não há como precisar.


TALVEZ OS PROBLEMAS SEJAM A DESONESTIDADE E A AVERSÃO POR TAMANHOS GRANDES.

É comprovado que a grande maioria das marcas possuem uma grade de tamanhos limitadíssima e que raramente ultrapassa o P/M/G ou 38/40/42. Elas argumentam que esses tamanhos não vendem, mas será mesmo? Há campanhas para que mulheres que não se encaixem nessas medidas se sintam representadas e encorajadas a experimentar suas peças?

Para se ter um ideia, há modelos de prova com medidas mini e toda grade é feita em cima das medidas. Isso significa que se o tamanho dela for considerado 36 pela marca, cada tamanho seguinte poderá ser aumentado em 2 centímetros, por exemplo. Resumindo, uma cintura 36 teria 72 cm, a 38 teria 74, a 40 76 cm e assim até o 44, se chegar a tanto. Daí a gente fica imaginando: como isso poderia funcionar nos corpos da vida real? Então, só podemos confirmar que a marca em questão não está nem um pouco preocupada em atender quem esteja fora dos seus padrões

Há ainda o caso de lojas em que os modelos de prova são as próprias donas das confecções. Sim, isso acontece. E qualquer mudança em suas medidas impacta toda uma grade/base sem o menor constrangimento.


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E O QUE ODE SER FEITO?

Recentemente, a H&M do Reino Unido mudou os tamanhos do departamento feminino. Isso aconteceu após anos de reclamações de clientes que afirmavam que as roupas eram menores do que se podia tolerar. Nós, enquanto consumidoras, devemos fazer o mesmo por aqui e virar as costas para alguém que não está preocupado em nos vestir de forma adequada.

Enquanto criadoras, devemos buscar soluções, estudar as necessidades das clientes e não simplesmente dizer que suas peças não são feitas para mulheres gordas. Ao invés disso, busque a empatia, estude seu público, essa é uma ótima forma de começar.

Para mim, beleza é estar confortável em sua própria pele.
É conhecer e aceitar quem você é.
Ellen Degeneres.

Por conta das pressões, muitas mulheres sequer sabem quais são suas medidas. Caso você queira aprender a medir seu corpo, saiba que esse é um processo que deve ser feito com amor, confiança e positividade. É preciso entender que você não é definida por um número ou pela tabela criada por quem quer que seja! 

Se quiser começar, basta passar a fita na parte em volta da região do seu corpo que deseja medir; as principais que são consideradas pela indústria do vestuário são: busto, cintura e quadril.

Mas, não esqueça: um corpo perfeito é aquele que carrega em si um ser que se ama! 💖

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