Sou jornalista e produtora de conteúdo especializado em moda e comportamento. Além de estar à frente da neilabahia.com, já escrevi para para multimarcas, fashion designers e chefiei equipes de produção do vestuário feminino!

Li carta aberta de Giorgio Armani e vai ter textão!

Salvador - BA, Brasil
(imagem: getty image)

O estilista Giorgio Armani (85) enviou uma carta aberta à WWD e isso sacudiu real os alicerces da moda mundial! Vem ler todos as lições que a gente pode tira disso.

Há umas duas semanas, Giogio Armani, do alto dos seus 85 anos e com uma fortuna pessoal estimada em 5,4 bilhões de euros, escolheu a WWD - veículo americano de credibilidade especializado em moda e considerado uma voz de alto impacto na indústria - para ser a porta-voz do seu posicionamento em tempos de pandemia. 

Em uma mensagem clara e direta ao mundo da moda, o designer expôs o seu ponto de vista sobre como o Coronavírus pode contribuir para a mudança na indústria da moda.

Mas, você deve estar pensando: por que daremos ouvidos a um homem que construiu um império através dos processos capitalistas que tanto contribuíram para que chegássemos onde estamos hoje? 

A resposta é simples. Dentro desse sistema, as mudanças são em cadeia e costumam acontecer invariavelmente de maneira vertical, partindo de cima para baixo.




A carta que já levantou inúmeros debates, conta com o apoio público de colegas ilustres, entre os quais Donatella Versace, Elisabetta Franchi, Marco Baldassarri e Rick Owens.

Vamos por partes, Jack.


Separei alguns trecho que mais me despertaram insights e agora vou comentar e trazer aqui pra nossa realidade, pro que defendo sempre nos meus posts. A importância da produção desacelerada, a versatilidade e a atemporalidade das peças, alinhadas com o consumo consciente.


"Quero parabenizá-los: a reflexão sobre o quão absurdo é o estado atual das coisas, com a superprodução de roupas e um desalinhamento criminoso entre o clima e a estação comercial, é corajoso e necessário.

Partilho de todos os pontos, em solidariedade com as opiniões expressas pelos meus colegas. Durante anos, venho levantando as mesmas questões durante entrevistas coletivas, após os meus desfiles, geralmente inéditos ou considerados moralistas."


Nesse trecho, Armani se refere, em particular, a Miles Socha e aos suas colaboradoras Samantha Conti, Alessandra Turra e Luisa Zargani, em relação à matéria "Will Flood of Collections Yield to Slower Fashion?" algo como "A inundação de coleções renderá uma moda desacelerada? 

O fato é que o declínio do sistema da moda como o conhecemos começou há muito tempo.  E com o setor de luxo não é diferente. Para alcançar o galope dos métodos operacionais do fast fashion, capturando o ciclo de entrega contínua na esperança de vender mais, o mercado de luxo esqueceu que precisa de tempo para ser realizado. Todo mundo está exausto.


O luxo não pode e não deve ser rápido. Não faz sentido que uma das minhas jaquetas ou roupas viva na loja por três semanas antes de se tornarem obsoletas, substituídas por novos produtos que não são muito diferentes. Eu não trabalho assim, e acho imoral fazê-lo.


Se a grande maison está farta dessa história, por qual motivo os outros setores irão na contramão? Afinal, é ali que nasce uma tendência, um desejo. Quem vende roupa terá apenas uma forma de comercializá-las: fazendo-as durar. Com peças atemporais e versáteis, ninguém precisa de um lançamento a cada semana!


"O momento pelo qual estamos passando é turbulento, mas também nos oferece a oportunidade única de corrigir o que está errado, de recuperar uma dimensão mais humana. É bom ver que, nesse sentido, estamos todos unidos."


Giorgio finaliza com um chamado à consciência. Eu já falei um pouco sobre isso, de como conseguimos nos reinventar, mesmo diante de adversidades extremas. Esse momento é muito delicado, pessoas estão perdendo suas vidas, deixando famílias inteiras devastadas.

Precisamos valorizar o quão privilegiados somos por estarmos bem e a salvo quando tantos sofrem. É impensável que a humanidade continue seu processo de degradação egoísta. Que possamos realmente sair desse momento fortalecidos e como pessoas melhores.

Sabemos que é cedo para prever como as coisas acontecerão e que grandes mudanças não ocorrem da noite para o dia. Mas, é fato que já passou da hora da indústria entender que não há mais espaço para exploração, para uma moda que destrói. Nisto também concordamos, Sr. Armani. 






Comentários

  1. Que interessante ver a reflexão de um magnata a respeito desse momento turbulento. Acho que não existe um ser humano sequer no planeta que não esteja revendo seus valores agora.
    Tem post novo no blog - adoraria sua visita!
    Bj e fk c Deus.
    Nana
    http://procurandoamigosvirtuais.blogspot.com

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  2. Interessante.
    Desconhecia este discurso do Sr. Armani, mas até que gostei. Só não sei se isso é algo para aparecer e surgir no meio dessa pandemia ou se ele se preocupa mesmo com o rumo como o mundo da moda está desenfreadamente a seguir...
    Contudo, acho que essa exploração tem sentido de culpa para quem o faz, mas sobretudo, para quem o consome (como nós... porque o público de tão "alucinados" pede mais e mais e mais e os artistas vão e dão --' ).

    XoXo
    - Helena Primeira
    - Helena Primeira Youtube
    - Primeira Panos

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  3. Achei incrivelmente interessante!
    Beijos!
    Lob Blog

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  4. Já passou do tempo das empresas, não só no mundo da moda, mas no geral, explorarem menos as pessoas e se conscientizarem mais.

    www.vivendosentimentos.com.br

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  5. Great post ! Thanks for sharing! Stay safe! 🙏🙏🙏

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  6. Que interessante! Não conhecia este discurso :)

    https://blogda-joana.blogspot.com/

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